Parte I
Quando
se convive por algum tempo com uma pessoa, se fores observador(a) meu caro
leitor(a), é possível notar trejeitos, características comportamentais que se
repetem. Se você escolher me observar seja fisicamente ou literariamente, com
certeza verá meu interesse por metáforas relacionadas ao elemento água; meu apego por
histórias de desencontro; meu amor por artistas de vidas trágicas como Billie
Holiday e Sylvia Plath, também meu flerte com o fantástico. Perceber minhas
próprias repetições me fez questionar se de fato eu conseguia escrever algo
interessante e isso doeu. A descoberta feriu meu eu-poético, fazendo com que o
silêncio reinasse nas pontas dos meus dedos.
Alguns
meses se passaram desde que escrevi uma história que pudesse me mover de alguma
forma. Até que hoje escutando a música “Cais”, na voz de Milton Nascimento,
senti o desejo de retomar minha escrita. Daí o nome do blog, “Cais de Mim”, por
ser uma plataforma fixa assim como o local de onde barcos atracam e aportam, só
que aqui aportarei minhas palavras e aceitarei que atraquem as suas em sinal de
correspondência. Também gosto do trocadilho que as palavras permitem, como se o que vocês lessem aqui fosse o que cai de mim. E cai.
Inicialmente
pensei em começar do zero, isto é, não postar textos antigos. Entretanto isso
não seria grandioso para minha própria escrita e nem sincero com quem se dispor
a ler este blog. Uma vez que eu expus meu medo quanto às minhas próprias
repetições, eu deixarei que vocês a constatem por si só e prometo a mim: tentar
ampliar minha forma de escrever, de forma que meus vícios não penalizem minha
escrita.
Dividirei
alguns dos meus textos da seguinte forma: os mais antigos serão classificados
como “O barco de trás”, àqueles que escrevi por último serão os “Terra à vista”
e os mais atuais, que ainda estão por vir, chamarei de “Porto Palavra”. Por
enquanto pensei nisso, para começar de algum lugar, como Nascimento diz na
música que citei no segundo parágrafo: “Invento o cais// E sei a vez de me
lançar.”
Sejam
bem-vindos à bordo, marinheiros e marinheiras, sejam vocês de primeira viagem
ou não, desde já: obrigado por me ler!
Camila
Lopes de F. Belém
Goiânia, 16
de março de 2016
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