"Eu sou Ninguém. E você?
É Ninguém também?
Formamos par, hein? Segredo _
Ou mandam-nos p'ro degredo."
(Emily Dickinson)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Cais de Mim

Parte I

Quando se convive por algum tempo com uma pessoa, se fores observador(a) meu caro leitor(a), é possível notar trejeitos, características comportamentais que se repetem. Se você escolher me observar seja fisicamente ou literariamente, com certeza verá meu interesse por metáforas relacionadas ao elemento água; meu apego por histórias de desencontro; meu amor por artistas de vidas trágicas como Billie Holiday e Sylvia Plath, também meu flerte com o fantástico. Perceber minhas próprias repetições me fez questionar se de fato eu conseguia escrever algo interessante e isso doeu. A descoberta feriu meu eu-poético, fazendo com que o silêncio reinasse nas pontas dos meus dedos.
Alguns meses se passaram desde que escrevi uma história que pudesse me mover de alguma forma. Até que hoje escutando a música “Cais”, na voz de Milton Nascimento, senti o desejo de retomar minha escrita. Daí o nome do blog, “Cais de Mim”, por ser uma plataforma fixa assim como o local de onde barcos atracam e aportam, só que aqui aportarei minhas palavras e aceitarei que atraquem as suas em sinal de correspondência. Também gosto do trocadilho que as palavras permitem, como se o que vocês lessem aqui fosse o que cai de mim. E cai.
Inicialmente pensei em começar do zero, isto é, não postar textos antigos. Entretanto isso não seria grandioso para minha própria escrita e nem sincero com quem se dispor a ler este blog. Uma vez que eu expus meu medo quanto às minhas próprias repetições, eu deixarei que vocês a constatem por si só e prometo a mim: tentar ampliar minha forma de escrever, de forma que meus vícios não penalizem minha escrita.
Dividirei alguns dos meus textos da seguinte forma: os mais antigos serão classificados como “O barco de trás”, àqueles que escrevi por último serão os “Terra à vista” e os mais atuais, que ainda estão por vir, chamarei de “Porto Palavra”. Por enquanto pensei nisso, para começar de algum lugar, como Nascimento diz na música que citei no segundo parágrafo: “Invento o cais// E sei a vez de me lançar.”
Sejam bem-vindos à bordo, marinheiros e marinheiras, sejam vocês de primeira viagem ou não, desde já: obrigado por me ler!

                                                                               Camila Lopes de F. Belém
                                                                          Goiânia, 16 de março de 2016

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